Bom momento do mercado de trabalho no Brasil não esconde desigualdades que ainda persistem
20/02/2026
(Foto: Reprodução) Taxa de desemprego é desigual entre estados
O Brasil registrou a menor taxa de desemprego, em 2025, desde 2012. Mas, na comparação entre estados, ainda existe muita diferença.
Já são mais de 30 anos trabalhando na rua. Foi a maneira que o vendedor de amendoim Almir Costa Pavão encontrou para conseguir renda, quando se mudou do Maranhão para o Rio de Janeiro.
“Lá não tinha emprego direito para trabalhar. Trabalhar na rua, ganha pouco, mas é aquilo, certinho”, diz.
O Brasil fechou 2025 com a menor taxa de desemprego registrada pelo IBGE desde o início da pesquisa, em 2012. Mas as desigualdades entre os estados continuam. Das 27 unidades da federação, 15 registraram uma desocupação acima da média nacional. O desemprego é maior no Piauí, na Bahia e em Pernambuco; e menor em Mato Grosso, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
“Na região Centro-Oeste, a gente tem tido um crescimento da agropecuária muito forte. No Sul e no Sudeste, a gente tem historicamente um retrato maior de uma indústria que também produz mais. A gente vê que até os serviços dentro das regiões Sudeste e Sul são serviços um pouco mais produtivos. E produtivos não é que as pessoas trabalham mais, produtivos porque acabam gerando valor para a economia maior”, explica Rodolpho Tobler, economista e pesquisador FGV Ibre.
Bom momento do mercado de trabalho no Brasil não esconde desigualdades que ainda persistem
Jornal Nacional/ Reprodução
Em seis estados, a informalidade predomina no mercado de trabalho. De cada dez trabalhadores no Maranhão, seis são informais. Depois vêm Pará, Bahia, Piauí, Ceará e Amazonas.
O Edson Rodrigues da Silva era empregado em uma empresa de iluminação pública, mas foi demitido na pandemia. Há cinco anos, é vendedor ambulante no Centro de Salvador.
“Trabalhei em várias situações, já vendi relógio, já vendi mochila. Para ambulante, tirar férias assim, é quando está cansado, fica um dia em casa, dois dias. Depois, volta para rua”, conta.
A informalidade é menor em Santa Catarina, no Distrito Federal e em São Paulo.
“Como transformar outras regiões do país em mais produtivas, que gerem mais empregos, empregos formais. Isso requer políticas públicas que mirem o desenvolvimento de algumas regiões. Desenvolver a mão de obra dessas regiões é muito importante para que se tenha mão de obra de qualidade, que possa atender também os desejos de empresas que são mais produtivas”, afirma Rodolpho Tobler, economista e pesquisador FGV Ibre.
De 7h às 19h, o vendedor de tapioca e churros Ednaldo Santiago garante: tem tapioca fresquinha, ao gosto do cliente. Nessa rotina pesada, ele conquistou alguns sonhos da família.
Ednaldo Santiago: Comprei casa própria, graças a Deus.
Repórter: Tem muito orgulho?
Ednaldo: Demais.
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